Imagina se você vivesse dentro de uma garrafa? Seria ruim? Poderia ser pior. Imagina se a sua garrafa não fosse de vidro e você não pudesse ver nada que acontece ao seu redor. Muito ruim, né? Mas ainda poderia ser pior. Imagina que essa sua garrafa opaca tem uma tampa e que você sozinho não consegue abrir e sair quando bem quiser. Péssimo o suficiente, não é? Por isso vou parar por aqui.
Tava pensando que tem gente que aparentemente escolhe viver como um gênio dentro de uma garrafa. Como isso é comum aqui. As pessoas se trancam em casa e só a necessidade de ir trabalhar, ou alguma outra obrigação, é que abre a tampa da garrafa por fora pra eles sairem. Eles vão se isolando, isolando, isolando até parecer não precisar mais estar do lado de fora e curtem um tédio e uma mesmice sem fim sonhando, talvez, em um dia se deparar com um gênio que lhe satisfaça alguns desejos pra animar-lhes a vida. Mas eu pergunto, qual o real motivo de ficar tanto tempo dentro da garrafa? Eu sei que algumas pessoas têm uma garrafa chique como a da Jeannie e esse é, pra eles, um motivo suficiente pra clausura, porém, nem sempre é assim. Há aqueles que preferem se fechar simplesmente por não querer explorar o que tem do lado de fora. Sendo assim, esses vivem uma vida muito diferente da dos gênios, pois os gênios [não sei como] conhecem todas as coisas do mundo inteiro.
Que grande desvantagem!
Pensando nisso, não tenho como ignorar a pergunta. Por que será que os gênios, que podem satisfazer quaisquer 3 desejos que sejam, continuam vivendo enclausurados numa garrafa apertada? Se eu fosse um deles, realizaria o meu desejo de pelo menos ter uma casa bem mais espaçosa, ventilada e clara. Mas, verdade seja dita, não gostaria de ser gênio e ainda bem que isso é algo impossível. A outra verdade que também quero dizer é que em não sendo gênio, prefiro, na minha condição humana a não me prender dentro de um mundinho meu. Ainda tem muito chão onde ainda não pisei e muitas coisas que ainda não vi. Recuso-me a trancar-me, mesmo que seja dentro de mim mesma, e viver o que ainda não sei.
Então, como todos os dias faço as minhas escolhas, escolho não ter uma tampa sob a minha cabeça e escolho conhecer os que os gênios, como a Jeanni, já conhecem. Só espero que com o tempo, ainda faça essas mesmas escolhas, se não escolhas melhores ainda, e que nunca tenha a ilusão que, como num passe de mágica, tudo de maravilhoso vai acontecer comigo estando trancada dentro de casa. Porque mesmo achando a Jeanni o máximo, não consigo nem pensar em morar numa garrafa como a dela. Dela, só quero igual a cintura, a alegria e um amo pra, esse sim, satisfazer [muito mais que só] três desejos meus.
.
.