a gente vai vendo que vai amadurecendo [pra não dizer ficando velha] quando vemos nossas reações diante de algmas situações. por exemplo, quando se está no primário [e me recuso a falar ensino fundamental só pra você ter uma idéia da minha idade], a gente morre de medo dos professores, ou melhor das tias, e o que elas dizem é lei. depois de algum tempo, já na faculdade, a gente vê que nem sempre os mestres têm razão e questionamos algumas coisas. crescemos e entendemos que não existe um homem que seja dono-da-verdade, e que todos têm suas limitações e que devemos querer pensar por nós mesmos.
um outro exemplo, mais genérico, é quando achamos que vamos reagir da mesma forma diante de uma situação corriqueira, mas do nada, nos surpreendemos conosco mesmo. vejamos, há alguns anos eu toparia entrar tranquilamente em algumas muitas "roubadas", do tipo programa de índio, e ficaria feliz da vida. estou falando de coisas simples como viajar com uma turma (metade conhecida e outra metade desconhecida), meio no improviso, dormir no chão, dividir um banheiro com mais umas quinze meninas e ligar o tô nem aí pra um punhado de coisitas. hoje, no entanto, procuro selecionar a turma, mesmo que em parte desconhecida, e se tiver que dividir o banheiro que seja com no máximo umas cinco, e de preferência conhecidas. não topo mais certas coisas com a disposição que topava antes. estou ficando velha e ranzinha? não, apenas mais seletiva. não é que eu não sou mais quem era antes no geral, apenas deixei pra trás [uma parte] das coisas de meninice. essa uma parte se perdeu. se desprendeu. se desencontrou e desencontra da minha realidade hoje.
é engraçado pensar como a cabeça da gente muda. praticamente "nada do que foi será do jeito que já foi um dia, tudo muda o tempo todo", e é verdade. quisera eu ter prestado mais atenção nessas palavras de lulu. teriam me poupado um bocado de tempo e energia! mas o fato é que, como estou sempre mudando, talvez nunca ache o elo que junte as duas pontas de mim mesma em tudo que vivi aos 20 e poucos e agora aos 30 e poucos. talvez também eu mesma simplesmente não queira achar. sei que daqui a alguns meses [ou dias] vou estar diferente do que estou agora - na verdade sinto que estou mesmo mudando - mas sempre espero que seja pra melhor. o cuidado nessas mudanças é pra não me tornar uma mulherzinha cheia de nhem-nhem-nhem e não-me-toques --- tenho horror de gente assim, mas que eu seja, no mínimo, uma moleca prudente (se é que existe tal aberração).
encaro esse desencontro dos meus eus com tranquilidade porque sei que quem nunca passou por mudanças é porque ou parou no tempo ou virou planta de plástico! o caso é que espero continuar me encontrando com meus eus dos próximos segundos e minutos e horas e por aí vai e sempre me renovar, trocar a pele. espero me tornar a pessoa que sempre sonhei ser [mas não exatamente meticulosamente nela, porque também quero ser surpreendida com o que de mais inesperado e lindo Deus pode me fazer]. anyway, vumbora pra frente que ainda tenho muita coisa pra descobrir e encontrar mais adiante, porque o que passou, passou, no passado ficou e algumas coisas só lá mesmo ficarão.
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