Tuesday, April 24, 2007

na minha hora!

apesar de já ter feito todo esse discurso de que cada um tem a sua velocidade e tal, ainda fico pensando nisso.

algumas [poucas] pessoas conseguem me deixar boquiaberta com a complexidade com que levam suas vidas. querem aparntar uma coisa, se esforçam pra cumprir os papéis que estipularam pra sim, mas a outra face pode ser algo tão oposto que às vezes chega a chocar.

aqui confesso pra mim mesma: eu não entendo.

eu não entendo como uma pessoa consegue fazer caber dentro do mesmo corpo [nem a física acredita nisso] e conseguir ser.

eu não entendo como uma pessoa pode ser tão fria a ponto de isolar-se como um iceberg e fazer naufragar todos, digo, todos que tentam chegar perto.

eu não entendo como uma pessoa pode se achar tão acessível e ser tão intangível.

eu não entendo como uma pessoa que diz querer amar, não consegue baixar as guardas e se deixar ser amada.

eu não entendo como uma pessoa pode precisar tanto de ajuda, mas se permite pensar nisso tão raramente com tantos por perto.

eu não entendo como uma pessoa que se sente tão incrivelemente só não deixar ninguém chegar perto.

eu não entendo como uma pessoa que se sente tão incrivelemnte só afasta com tudo o que pode quem tenta chegar perto.

eu não entendo como uma pessoa consegue ser tão mecânica.

tão fria.

tão isolada.

tão sozinha dentro de si.

é... eu não entendo essa pessoa.

ela repulsa.

ela repele.

se abre um pouco e se fecha demais.

tudo tem que ser na hora dela. na velocidade dela. a do outro não parece importar nem um pouco pra ela. o jogo é dela. as regras são dela. ninguém mais joga e se jogar, não é pra se divertir. há todo um desnível na relação com ela. por mais que o outro lado tente chegar onde ela está não consegue. ela controla tudo. quer controlar até você. fazer você pensar que ela está com a razão e mesmo quando está errada, faz de tal forma que até faz parecer que está certa.

que complicação.

que controle é esse que até quer determinar qual é a hora do outro? por mais que se queira, como é difícil ter uma pessoa assim por perto. não que eu seja santa, ou perfeita, mas toda essa complexidade e domínio tiram completamente a beleza de qualquer relação. como num espelho muito arranhado que se torna opaco, você deixa de ver a própria imagem no outro [que é a chamada troca] e no lugar vê somente um grande borrão - ou uma distorção de si mesmo. quem nunca duvidou de si por conta das palavras de julgamento de outrém? quando deixamos de nos ver claramente isso pode acontecer.

mas e quando é preciso caminhar ao lado? e não digo isso pensando em família, mas pensado nos que estão ao redor, no trabalho, escola, igreja. como lidar com essa pessoa? sendo uma pessoa melhor e demonstrando o que é amor [mesmo que você saiba pouco do assunto?], largando de mão [porque é o mais fácil?]. sei que cada um tem a sua resposta e que cada um tem a sua hora para reagir, mas, sinceramente, o que fazer com alguém assim que vai te tornar numa pessoa melhor?

.

No comments: