Sunday, February 25, 2007

desacordos

pois é... nunca vi duas criaturas divergirem tanto como rebecca e polly! eu sempre fico no meio do fogo cruzado porque elas duas insistem em terem a minha pessoa como mediadora das discussões.

outro dia a discussão foi sobre sotaque. pra falar a verdade, polly nem sabia que o tinha até ser reconhecida por ele. rebecca acha sotaque de alguém de fora coisa feia, desajeitada e sem graça, enquanto que polly acha a coisa mais normal do mundo e até charmoso. "é só ouvir o sean connery ou o pierce bronsnam falando", argumenta ela com rebecca. mas a outra retruca, ainda querendo dizer que quando se está num lugar, bom mesmo é falar meio igual. porém, logo imagina esses dois ex-007 falando calientes palavras del amor ao pé do seu ouvido e cede ao argumento de polly. "é... pode ser interessante."

ai, quando pensei que finalmente ia respirar e descansar de tanto pá de cá, pá de lá, me vem outra discussão... porém, das mais pesadas.

como se eu merecesse [e não bastasse], começaram a falar dos pós e contras de uma mulher solteira com mais de 30. ui. alimento pesado e de difícil digestão mesmo pra uma menina mocinha como eu! e foi um tal de "vantagem só no seguro do carro que fica mais barato" e "é bom que pode-se fazer o que quiser, a hora que quiser e ainda brincar de boneca", que eu nem te conto. acho que nesse assunto elas não chegaram a nenhuma conclusão, muito menos consenso... e eu no meio... mas preferi nem interferir porque nem eu mesma quero mexer muito nesse assunto, sabe? bem, de qualquer forma, acho que vejo mais nitidamente que ela que existem talvez um número igual de pós e contras. tá, verdade seja dita que escrever esse texto em pleno sábado à noite à meia-noite e vinte e um (depois de ter saído JÁ ter voltado pra casa, não está na minha coluna de pós). :/ eu, como rebecca, gosto é da noite, do seu silêncio, das palavras de amor que parecem surgir mais inspiradas, das surpresas e principalmente de ver seu manto negro sumindo quando o Sol vem aparecendo. [é, imaginei essa cena com alguém especial do lado]... ui, deixa eu parar por aqui senão vou acabar ficando deprimida e comendo todo o estoque de chocolate da casa (que não é pequeno) ou pior, casar com o primeiro que aparecer na frente! [alguém se manifesta? alguém? alguém? na galeria alguém?]

é... eu acho que é melhor mesmo ficar neutra nos desacordos das duas, ouvir os dois lados, ver quem tem razão no quê, e chegar às minhas próprias conclusões. essas duas são que nem gelo e fogo, que podem até se encontrar no vapor, mas só por um breve momento... e como eu sou a única em estado permanente, é melhor mesmo que eu fique neutra, pra não me queimar com as idéias malucas de uma, ou da outra.

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Thursday, February 15, 2007

a brevidade do que é eterno

hoje, um querido meu tornou-se jovem para sempre.

não terá as rugas, nem o peso que a idade trazem.
não se aborrecerá nunca mais com as notícias sobre as injustas que acontecem no mundo.
não sofrerá mais com os resfriados ou com a dengue que sempre aparece no verão.

nunca mais.

ele tomou a mão estendida do Pai que o aguardava e foi.

foi para não mais voltar.

foi para realizar o plano supremo de eternidade junto ao Criador.

sua passagem por aqui foi tão breve...

tornou-se eterno muito cedo. muito, muito, muito cedo.

deixa aqui seus pais, esposa, um bebê e um outro, ainda menor que este, ainda no ventre da mãe.

deixa também uma imensa saudade em quem o conheceu e viu Deus em seus olhos.

sei que seu tempo de eternidade será a recompensa dos seus passos aqui.

isso consola.

terá uma eternidade feliz.

seja feliz.

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Saturday, February 10, 2007

pensamento de outrem

recebi esse e-mail e gostei. olha que eu não sou de ler esses e-mails do tipo "genérico", mas fiquei feliz de tê-lo lido. bonito é, mas o difícil é colocar em prática.


Essa é pra pensar...

Ser feliz ou ter razão?

Oito da noite numa avenida movimentada.
O casal já esta atrasado para jantar na casa de alguns amigos.
O endereço é novo, assim como o caminho que ela conferiu no mapa antes de sair.
Ele dirige o carro. Ela o orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe que estava errado.
Ainda com dificuldade, ele admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há problema algum em chegar alguns minutos mais tarde.
Mas ele ainda quer saber:
- Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, deveria insistir um pouco mais.
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos a beira de
uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite.



Essa pequena história foi contada por uma pessoa durante uma palestra
sobre simplicidade no mundo do trabalho.
Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para
demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não.
Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais freqüência:
"Quero ser feliz ou ter razão?"
Pense nisso e seja feliz.

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Friday, February 9, 2007

a escolha do leão

rebecca hoje amanheceu inspirada e derramou sobre mim suas teses conclusivas sobre um "leão" que há algum tempo ela estuda. pelo que me parece, ela tem feito o que é bem próprio dela fazer: observar e quase não falar. ela é do tipo que dá corda, dá corda, até ver até onde vão pedir mais. ontem, ela achou que a quantidade de corda que ela deu já tinha sido mais que suficiente e chegou a conclusão que o tal do bichano vive em cativeiro - apesar dele querer mostrar-se bicho solto.

situação comum essa. achar que é uma coisa, ou que se está numa posição que você não está. verdade que nem todo mundo é leão... mas acho que isso faz com que o fato de ser um leão e estar enjaulado com toda a força que um leão tem, o torna de certa forma mais frágil do que um mico leão, por exemplo. precisa-se de muito mais força e inteligência pra se capturar um leão do que um outro bichinho qualquer. mas rebecca, após meu comentário, continuou dizendo que não foi ninguém que aprisionou o leão, foi ele mesmo quem veio pra jaula. "por quê?" - tive que perguntar - ela prosseguiu - "porque ele assim escolheu".

engraçado como algumas pessoas se anulam de tal forma a se esconder atrás da assistência que prestam aos outros. acho isso uma temeridade, e por isso tive que concordar com rebecca, quando ela afirma que deixar-se enjaular para ser admirado é literalmente aprisionar o seu eu. eu já conheci algumas figurinhas que precisavam ser aceitas pelo grupo e por isso eram só sorrisos, agrados, e um senso de humor que excedia o normal, mas que quando estavam sozinhas, se sentiam pequenos seres solitários (estou falando de pessoas que passaram na minha vida e que acabaram ficando pra trás). tentei mostrar-lhes isso, mas não tenho certeza que optaram por si mesmos... de qualquer forma, hoje, conheci mais uma dessas pessoas - e rebecca tb - e digo que é triste ver que procura-se estar presente na vida dos outros, mas não permite que os outros estejam de verdade na sua. como pode ser que uma pessoa queira contato com as outras pela obrigação de se fazer presente, mas não necessariamente pelo prazer de ter essas pessoas junto a si? fala do peso da obrigação que lhe foi imposta, e não tem senso de prazer nisso. talvez nem ele veja as barras de ferro da sua jaula. se aproximou tanto delas para estar mais presente dos outros que não consegue enxergar que existe uma barra entre seus olhos, separando-o completamente dos outros. dá, mas não recebe. e talvez até tenha desaprendido a receber. pode ser que algumas pessoas até tentem dar-lhe algo, mas tenham medo diante de tanta imponência. o leão ruge e é ouvido, mas quem consegue falar mais alto no momento do seu rugido para que ele o escute? quem consegue mostrar-se mais forte para que ele se renda? quem consegue mostrar pra ele que o relacionar-se pode ser diferente? e continuo a me perguntar, quem é que consegue ver as barras de ferro da prisão na frente dos olhos do leão? ilusão da maioria que vê através das barras e só enxerga o leão, e o acha forte o suficiente pra ser o rei da selva. pobre leão. isolado está só. mas parece refirmar que a cada dia quer mesmo estar só.

esses dias alguém me falou que leões são animais extremamente dóceis, quando domesticados. eu acredito. mas até conseguir chegar perto de um e ele se deixar ser carinhado deve levar um bocado de tempo [e coragem!]. me pergunto o quanto ele gosta de estar nessa posição mantendo essa distância. a distância de um leão pode significar segurança para ambos os lados. nem todo mundo conseguiria ter um bicho desse no sofá da sala, e por outro lado, o leão pode se tornar um gatinho. o que quer que aconteça, ele será sempre um leão. é a sua natureza. sei que o relógio que existe entre mim e o leão está correndo, e pode ser que um dia consiga ser domesticado, mas o que entendo é que atitudes bruscas podem causar reações indesejadas e o melhor mesmo é deixar que o "rei" ir se acostumando com o meu cheiro e com a minha presença. eu acho. talvez, depois que os ponteiros do relógio girarem muitas vezes, eu possa chegar mais perto da jaula e mostrar que a porta está aberta. sempre esteve e que ele pode sair. mas, sabe, talvez ele não queira... porque afinal de contas, a escolha é dele.



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Monday, February 5, 2007

pensamento de outrem

ainda bem que faz algum tempo que ouvi e entendi essas palavras.
não me permito mais ser presa fácil e ser engolida assim à toa.
eu ainda brigo.


Nessa época do ano
Quando o frio vem chegando
E há menos flores que espinhos

Os dias perdidos
Vem a luz
Ainda éramos filhos
Éramos amigos

Até sermos engolidos
Pela vida sem brilho
Por nossos inimigos
Na rotina comum

E sou só um
Mas não sou um deles
Eu sou só um

E mesmo que pareça tolo
E sem sentido
Eu ainda brigo por sonhos
Eu ainda brigo


Flores E Espinhos
Os Paralamas do Sucesso



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Saturday, February 3, 2007

do outro mundo

eu lido com o sobrenatural, graças a Deus.

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Friday, February 2, 2007

apego

apego não depende de distância.
apego não depende de muitas coisas inventadas
na cabeça daqueles que na verdade não querem se apegar.
apego entre dois amigos que se amam
só depende da vontade de um de estar junto
e do outro de não querer sair de perto
qualquer que seja o meio pra essa proximidade
telefone, carta, e-mail ou pensamento.
estar-se apegado a é bom quando
estão apegados a também.
é a troca
[que pode acontecer muitas vezes por dia pelo pensamento]
é a certeza
[de que existe morada no coração do outro]
é o aconchego
[de saber que o colo está à distância do reencontro]
é o elo
[da amizade que supera tantos obstáculos]
é o dom maior
[despertando uma capacidade sobre-humana, porém também racional]
é o sobrenatural
[exercitado diariamente ao interceder pelo outro diante do Pai]
reciprocidade.
segurança.
carinho.
dois.
amor.
fé.


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