às vezes me pego pensando nas cidades que ainda não conheci. nas músicas que ainda vão falar por mim, mas que ainda não escutei, no abraço que ainda não dei.
me pego imaginando-me em nova york, encontrando tom jobim, apertando-lhe a mão, dando-lhe um abraço. penso nas músicas que ele poderia ter composto e que poderiam ter me tocado. penso em tantas vezes que já escutei seu trabalho. minha alma canta.
como ele, penso em tantos que já foram e que gostaria de ter conhecido, esbarrado. sempre que encontro um artista penso que num mundo tão gigante, estar no mesmo lugar que aquela pessoa, que tantas vezes foi vista por mim, é algo incrível. penso que num mundo tão grande, sou uma grande privilegiada por ter encontrado algumas pessoas tão especiais as quais posso chamar de amigas. num mundo tão grande, e cada vez mais corrido, posso dizer que é um milagre ter encontrado pessoas que guardam alguns dos meus mais profundos segredos, que conhecem alguns dos meus mais indizíveis medos, mas que mesmo assim me olham nos olhos e me estendem a mão. sou uma privilegiada porque apesar de não ter conhecido tom jobim [e de tê-lo influenciado pra escrever uma música com meu nome], conheci pessoas incrivelemente talentosas e amorosas. talentosas sim, pois cada um dos que hoje chamo amigo tem o talento de ter aberto uma porta dentro de mim. a cada um de vocês, muito obrigada por ter me explorado e me feito conhecer-me ainda mais. por ter-se permitido ser explorado e fazer-me conhecer-lhe cada vez mais. num mundo tão grande, é um milagre ainda escutar nossas risadas ecoando pelos tempos, aqui e ali, ao lembrar de algumas situações que vivemos. isso se chama saudade.
pra você, saudade, com quem por vezes faço as pazes, meu obrigada por vir muitas vezes carregada de boas lembranças. por estar presente e me fazer sorrir. por me fazer lembrar quem sou e quem tenho na vida. obrigada por lembrar-me tantas vezes que sou rica e que meu tesouro é um bem-querer preciosíssimo. e que agora, você possa ir fazer o seu trabalho junto aqueles que me são causadores da sua presença, fazendo-lhes lembrar de mim e de todo o meu amor por eles. que as lembranças que virão façam ambas as partes sentir como estando a cumprir nosso dever de bons amigos e de irmãos presentes.
pra vocês, meus amigos, faço minhas as palavras do rei:
"Das lembranças que eu trago da vida, você é a saudade que eu gosto de ter". gosto muito. gosto sim. queria que não precisasse ser saudade, porém sendo assim, permito-me sentir meu amigos perto de mim muitas vezes, de várias formas. só mesmo Deus sabe quando verei cada um dos meus queridos novamente, mas enquanto isso, vou reencontrando cada um deles nas minhas memórias todos os dias, quando assim desejo. mesmo que não seja nas ruas de nova york, ou de paris, essas lembranças são lembranças felizes porque nelas estão quem eu preciso.
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