estou de braços abertos.
para coisas que julgo boas e que estão vindo.
para novas oportunidades.
para novas experiências.
para a nova vida que não pára de acontecer diante de mim, insistindo em se tornar nova muitas vezes e novamente num pequeno espaço de tempo.
mas também estou de braços abertos para pessoas.
para os novos que chegam e não sei bem onde vão repousar na minha vida.
para os que há pouco chegaram e que regularmente encontro.
para os meus amigos de muito e de pouco tempo também.
é bom estar de braços abertos, em paz, para esses AMIGOS, que já chegaram "lá" e estão aqui.
digo que é bom estar de braços abertos porque só assim consigo abraçar tudo isso.
porém, há outro motivo que me faz querer estar de braços abertos: o de dar a liberdade pra qualquer um de ir embora.
às vezes é preciso mesmo ir embora.
deixar os amigos irem embora não é uma tarefa fácil,
porém se eles quiserem ir, posso até tentar puxar de volta,
mostrar-lhes meu coração ao invés de fórmulas complicadas
e esperar que fiquem.
no entanto, se mesmo assim, quiserem partir, deixo-os ir graciosamente,
desejando-lhes um caminho abençoado e amigos de verdade por onde forem,
e que de tempos em tempos, possa saber como estão.
fico triste, respiro fundo e lembro que poucas coisas na vida são definitivas
e que, quem sabe, talvez um dia voltem, ou nos reencontremos e possamos lembrar
da vida que aproveitamos juntos.
para os que decidem ficar a cada dia, estendo uma mão e pego um fósforo
e com a outra mão, os fogos de artifício e faço uma festa aqui dentro.
porém, existe o outro lado: os relacionamentos de superfície. superfície da alma, superfície e periferia das lembranças. sempre existiram e sempre existirão.
mas estou de braços abertos. e ponto.
braços abertos para talvez esbarrar o cotovelo em um desses e quem sabe um dia poder tê-los dentro do meu abraço, numa decisão de nós dois.
não preciso de superficialismo na minha vida.
ele existe, mas racionalizo que para dar e receber é necessário que haja duas pessoas e um acordo mútuo, mas, entendo que nem todos têm essa disposição.
eu tenho, e o que quero ao invés do esbarrão do superficialismo, é do calor de alguns, que depois das primeiras impressões queiram ir até nem eu mesma sei que existo.
estou de braços abertos
porque só quero no meu abraço
os que me querem por perto.
estou de braços abertos
porque só quero perto
os quem queira, de verdade, o meu abraço.
como a borboleta no jardim de quintana*,
seja a liberdade que ofereço a porta dos que desejam ficar.
não pretendo (e nem quero) aprisionar a alma dos meus queridos no meu mundo.
pelo contrário.
vou continuar de braços abertos
porque isso põe à prova a minha coragem,
e o mundo já está cheio dos covardes.
vou continuar de braços abertos
por amor.
porque isso exige de mim segurança e mais amor.
e esses dois sustentam meus braços.
vou continuar de braços abertos
porque sei que os que querem ficar lá dentro merecem ser festejados
e gasto um tempo delicioso celebrando aqui e acolá.
vou continuar de braços abertos
até que se fechem, pois sei que um dia qualquer isso vai acontecer.
e quando acontecer, sei que num grande abraço partirei feliz
tendo certeza de que amei e fui amada.
de que dei e recebi.
de que cumpri, da forma que julguei ser a melhor,
meu papel com quem em mim depositou sua confiança e amizade.
mas, ainda não quero pensar nessas coisas,
é verdade.
mas continuo de braços abertos antecipando esse último dia.
espero ainda me surpreender muito comigo mesma e com os outros até lá,
porque surpresas boas nunca são demais.
espero ainda transmitir e receber muito calor.
espero ainda me entrelaçar nos braços de muitos e lá ficam por um bom tempo.
espero ainda dividir e somar vida com vida.
espero ainda esperar muitas coisas boas,
coisas que ainda não vi, nem vivi.
surpresas que a vida e as sementes que planto ainda vão me fazer ver.
espero ainda poder dizer, como digo hoje com cada letra,
que tem valido à pena continuar de braços abertos.
e é assim que continuo, depois que terminar esse post,
e amanhã, e depois de amanhã, assim espero,
de braços abertos.
.
* Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mário Quintana
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