estar junto, fisicamente pode significar tantas coisas. pode ser uma necessidade, um desejo, fuga, busca, presença e solidão. algumas pessoas parecem ter o dom de não estar presentes quando estão junto. ninguém aprisiona a alma, é verdade, nem mesmo o próprio corpo de quem a carrega. por outro lado o corpo pode ser conduzido a cerimoniais indesejados, ou compromissos forçados, e o que deveria ser prazer, passa a ser uma obrigação social e o sorriso, que deveria ser sicero, passa a ser a máscara bem moldada no rosto.
o corpo só deveria ir onde a alma deseja estar, para que os encontros sempre fossem os mais prazeirosos e livres possíveis.
ao que me parece, acompanho um caso desses de perto hoje e confesso que levei algum tempo para entender como essa distância faz o indivíduo vazio e sem brilho por dentro. ele se torna mecânico e frio. talvez seja mesmo a alma quem aquece o coração e faz o olhar ter vida.
diante dessa situação, não há um relacionamento real, já que ao meu ver, um relacionamento verdadeiro é o encontro de duas almas. a minha está presente, mas a do outro, vai saber por onde anda. talvez até perdida do seu dono. coisa triste mudar-se e não deixar o endereço para a sua alma.
por isso, fico só. aliás, só não, porque tenho a companhia de mim mesma o tempo todo. fico então cercada de menos uma pessoa. porque apesar de estar tão perto, permanece tão longe de si.
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