Wednesday, January 31, 2007

a pequena e o gigante

o gigante usa uma roupa de aço.
protege o seu coração.
a pequena não tem uma visão especial que promova a proeza de conseguir ver através dela.
não estou certa se há quem consiga.
pela falta de visão talvez a pequena tenha magoado o coração gigante com palavras.
ela não conseguiu ver além da roupa de aço.
talvez um pedido de desculpe não resolva, porque as palavras são como flechas que depois que atiradas ninguém consegue mais fazê-las voltar.
ela espera que o estrago não tenha sido grande.
ela espera que não tenha havido estrago.
ela espera não ter machucado o gigante já fragilidado.
humildade dele que veio buscar a paz.
mas a paz exige sinceridade e transparência.
as palavras de mansidão passearam no diálogo,
mas a sinceridade pode ter sido seu algoz.
perdão.
ela não quer ver dor nos olhos do gigante.
os olhos sempre devem ser verdes de esperança,
e não cinza de lutas.
por ser pequena talvez seja difícil enxergar o gigante como um todo.
e pra ver melhor o gigante,
talvez seja preciso ver de longe.
talvez.
o gigante vê muito bem a pequena,
porém demora demais a descrevê-la.
mas quando descreve, fala com detalhes acurados.
sua visão é privilegiada.
mas vem a pergunta,
o que será da pequena e do gigante?
o tempo vai continuar escrevendo os capítulos,
mas nos folhetins que assim começaram,
geralmente os autores designam cada um para uma terra diferente.
viverão somente na lembrança um do outro.
talvez das incertezas de quais degraus poderiam ter trazido um pra mais perto do outro.
ou talvez na certeza de que é melhor assim.
cada um com sua perspectiva da vida.
cada um com os seus iguais.
talvez.
talveZ.


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