um chaveiro do cristo redentor no bolso de um turista mineiro pode ser a coisa mais normal do mundo. mas se quando ele chega em casa, tirar o bendito (força de expressão) do bolso e o colocar em cima da mesa da cozinha, a formiga que passava despreocupada por lá vai pensar que o rio de janeiro mudou de lugar no mapa e vai correndo pegar a câmera pra tirar uma foto, uai.
a física diz que tudo depende do referencial. eu digo que tudo depende do olho de quem vê. o que pode ser uma coisinha pra mim, pode ser um grand cânion pra outrem. o fato é que quanto mais importância damos aos fatores externos, mais importantes eles parecem. é obvio mesmo. não é pra ser uma conclusão brilhante. só óbvia mesmo.
a convivência com quem só vê cânions é um tanto quanto árdua (na minha perspectiva). mas daí você pode escolher, tentar mostrar o que você vê ou deixar pra lá. sabe, eu já dei muita importância pra gente muito boba. gente que só tinha coisa boba pra dizer ou maldade na cabeça. hoje não faço mais isso. não vale à pena. melhor assim que dá pra economizar as energias para o bem. as pessoas podem fazer o que quiser – cada cabeça é um mundo – mas é a forma como eu reajo ao que é feito pra mim que me importa. verdade seja dita, nem sempre dá pra ter sangue frio e pensar no melhor pra si sem ser controlado pela emoção do momento. hines no seu livro sobre o poder emocional da embalagem diz que a emoção acelera o julgamento. e é verdade. quisera eu sempre conseguir ver as coisas com a serenidade dos olhos sábios e não com o impulso do pulso do coração.
desejo não ver as coisas nem maiores nem menores do que são. desejo ter a sabedoria que vem do alto pra vê-las tal qual elas são. essa percepção acurada das coisas é o que distingue os turistas das formigas. os grandes dos pequenos. eu me pergunto, o que pode ser tão grande assim que não cabe no meu bolso e o que pode ser tão pequeno que tenho dificuldade de ver sem um microscópio? tudo deve estar no seu lugar. nos tamanhos certos e apropriados pro meu tamanho. pro tamanho da minha percepção. é assim que deve ser.
é depois de escrever coisas assim que vejo quanto ainda sou pequena (mas não com o olhar tão formigal) e quanto espaço ainda tenho que crescer pra ser quem desejo ser. haja biotônico fontoura...
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